Sejamos previdentes - CMP Prev Blog

Sejamos previdentes

Muito se tem comentado sobre o futuro da Previdência no Brasil e sobre a necessidade de o brasileiro adquirir a cultura do planejamento de longo prazo, visando a uma aposentadoria tranquila e segura.

Certo é que os brasileiros estão vivendo mais e que o processo de envelhecimento da população do país será ainda mais acentuado, nos próximos anos, com a elevação da expectativa de vida e a redução constante do número médio de filhos por família.

Esse novo cenário, com maior proporção de idosos, impactará diretamente na capacidade dos governos de arcarem com os pagamentos dos benefícios aos assistidos, já que eles são feitos sob o regime de repartição simples, ou seja, na Previdência oficial, são as contribuições dos trabalhadores ativos que suportam os pagamentos dos benefícios dos inativos.

A perspectiva apontada indica que os benefícios Previdenciários deverão sofrer novas alterações nas próximas décadas, conforme sinalizam as iniciativas dos governos federais, estaduais e municipais, ao tentarem criar regras mais restritivas de concessão e homogeneização dos benefícios para todos os trabalhadores, limitando as aposentadorias dos servidores públicos ao teto da previdência.

Salvo algumas garantias remanescentes, destacando-se aquelas dos servidores públicos mais antigos, quem pensa em se aposentar deve saber que seu benefício nunca será superior ou igual ao seu maior salário. Isso implica, inevitavelmente, que o trabalhador mais jovem terá seu benefício de aposentadoria limitado ao teto, ainda que mantenha renda superior a esse nível, sem contar o abismo que se inicia a partir do ato de concessão, já que as aposentadorias superiores ao mínimo são reajustadas com base em índices como o INPC, que têm sido menores do que os reajustes aplicados ao salário mínimo, diminuindo o poder aquisitivo ano após ano.

Como vimos até aqui, o baixo valor do teto da aposentadoria pública somado ao suposto déficit crescente nas contas nos apontam para um cenário no qual a Previdência dos jovens de hoje não estará garantida daqui há 20 ou 30 anos, o que obrigará o brasileiro a se tornar previdente.

Pessoa previdente é aquela que planeja o futuro com antecedência. E nesse planejamento de longo prazo, visando a uma aposentadoria com manutenção do poder aquisitivo, a melhor estratégia é fazer o dinheiro trabalhar a seu favor, fazendo uma poupança mensal durante os anos de trabalho que há pela frente e investindo em projetos que gerem rendimentos. A ideia é formar uma reserva financeira para lidar com situações futuras, como a chegada da aposentadoria.

Para tanto, diversas são as opções, tais como poupança, CDB, títulos do tesouro, ações, etc. Porém, sem dúvida, uma das mais seguras é fazer um plano de Previdência Complementar. Para o servidor público e algumas categorias profissionais, existem os planos de previdência fechados, conhecidos como fundos de pensões. Para os demais, estão disponíveis os planos abertos negociados pelos bancos e pelas seguradoras.

Eles possuem diferenças, mas, em resumo, ao investir na Previdência Complementar, você contribui com uma quantia mensal por um determinado período e, ao término do prazo, você conta com um montante para usufruir na forma de pagamentos mensais ou saque único.

É verdade que, aos que possuem a expertise do mercado financeiro e de investimentos, ser o dono de seu próprio capital – controlando o próprio destino – pode realmente ser o caminho mais rentável para acumular riqueza no futuro, com possibilidades muito maiores de formação de reservas ao longo do tempo.

Porém, para a maioria das pessoas, lidar com o risco e com as complexidades do mercado financeiro é uma tarefa árdua, o que indica que a Previdência Complementar será uma alternativa interessante e relativamente segura de investimento nesse futuro.

Nesse contexto, a Previdência Complementar torna-se um ótimo instrumento para gerar renda adicional ao benefício da Previdência oficial, minimizando a perda da renda na inatividade, inclusive nas situações adversas como invalidez e morte.

O ideal é começar a poupar para a aposentadoria desde cedo, sendo menor o esforço mensal de poupança para atingir uma aposentadoria confortável no futuro. Mas nunca é tarde para começar, já que o atraso pode ser compensado por aportes e contribuições mais elevados.

Numa próxima oportunidade, trataremos das modalidades de Previdência Complementar existentes no mercado e da Previdência Complementar do servidor público.

por Victor Hugo Coelho Martins